Os Perigos da Humanização
Os Perigos da Humanização

Já faz um tempo que o cinema, televisão e cartoons humanizam animais e objetos.

Lembram do Herbie, do “Se meu fusca falasse”? Da “Chita”, a macaca do Tarzan? No caso dos cães, temos o “Rin Tin Tin”, a “Lassie”, o “Benji”, o “Beethoven” e etc.

Quem lucra muito com isso é o milionário mercado “PET” pois quanto mais os donos de cães humanizarem seus “filhos caninos”, mais vão gastar em parafernálias que tem muito pouca utilidade para os cães.

O grande problema disso tudo é que o cão continua sendo um eterno incompreendido, pois na relação dono/cão, há muito pouco interesse por parte dos humanos em tentar entender qual o real status mental e emocional dos seus animais.

Na minha opinião respeito significa descer ao nível de compreensão dos cães, para entender o que realmente faz bem para eles.

Esse tipo de manejo produz um cão saudável e feliz.

O cão é o melhor amigo do homem?

 

Quando eu afirmo que a expressão “o cão é o melhor amigo do homem” é mentirosa e causa danos, percebo que a maioria das pessoas se ofende e tenta mudar de assunto.

Apenas um pequeno grupo que se interessa em conhecer o cão na sua essência, procura entender o meu raciocínio.

O que eu quero dizer é que ao rotularmos o cão de “amigo”, automaticamente criamos uma expectativa (gratidão = obediência) de um comportamento inatingível, e quando o cão obviamente falha, porque é um animal, e não entende o conceito “amizade”, é imediatamente rotulado de traiçoeiro, teimoso e desobediente e como consequência, sofre punição.

Quem humaniza castiga!

 

Não existe cão amigo ou traiçoeiro, existe apenas CÃO! E ele não é regido por um código moral de conduta, como nós humanos, mas por puro instinto. Amizade é algo que existe entre alguns seres humanos e é uma via de duas mãos, ou seja, eu sou seu amigo porque você é meu amigo.

Quem vai continuar sendo amigo de alguém que o traiu?

Então, se a amizade é algo relativo para nós, humanos, como podemos esperar tal comportamento de um animal, cuja estrutura social é baseada unicamente em hierarquia?

Existe cachorro amigo de outro cão?

Um cão nunca vai ser amigo de outro cão!

Quem não acredita, é só fazer o teste: pegue dois cães, “amigos de infância” e coloque em um canil por três dias, só com água.

No quarto dia jogue um pedaço de carne.

Se eles repartirem amigavelmente, como dois bons amigos o fariam, eu paro de falar sobre cães e admito que não sei nada.

No mínimo, o que vai acontecer é que o mais rápido vai comer tudo. No máximo vai rolar um stress e o que se impor, fica com o prêmio.

Quando dois cães se encontram pela primeira vez, eles se farejam para identificar sexo e maturidade.

Depois disso, se eles resolverem ou forem forçados a ficarem juntos, ocorre o estabelecimento da hierarquia através de posturas corporais, olhares, vocalização, uso de fezes e urina e um indivíduo se impõe sobre o outro.

Em alguns casos, ocorre uma agressão que é imediatamente interrompida ao primeiro sinal de submissão.

Num grupo de cães, a estratificação hierárquica é constantemente mantida através de exercícios de domínio, submissão e apaziguamento.

Quanto mais forte for o líder, mais harmonia haverá no grupo.

Governo forte = país tranquilo.

Governo fraco = greve, quebra- quebra, revolução.

Quase 100% das brigas domésticas entre cães são causadas por donos desinformados que com seus carinhos, petiscos, e favorecimentos a membros menos ranqueados quebram protocolos, forçando os mais ranqueados a usar força física (agressão) para reforçar sua posição social ameaçada.

Quando eu trabalhava casos de agressão doméstica era comum ouvir: “eles só brigam quando estou em casa”.

É óbvio, quando os cães estão sozinhos, sem a intervenção equivocada dos donos, reinam a paz e a harmonia.

Quando o dono chega bagunçando tudo, começa a pancadaria, que é reforçada com gritos e agressão dos humanos, tentando “apagar fogo com gasolina”.

Líder ou liderado

O cão, no seu mundo, só entende os conceitos: líder ou liderado.

Como se torna impossível conviver com um cão que lidere, pois isso significa ele decidir onde defecar e urinar, quem pode entrar e sair do território, quem pode sentar no lugar mais alto (sofá) e etc.

A melhor coisa a fazer é mostrar quem manda, o mais cedo possível.

E isso não tem absolutamente nada a ver com gritos ou agressão, e sim com exercícios que fazem com que o dono, numa linguagem não verbal demonstre a sua posição social dentro da matilha (família) e território.

Numa próxima publicação vou sugerir exercícios que quando aplicados corretamente tornam a relação com nossos cães simples e prazerosa. Até lá.

Ah, e não se esqueçam: o cão NÃO é o melhor amigo do homem, mas nós sim, podemos ser os melhores amigos dos nossos animais!

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